Comentário de Gênesis, capítulos 32 a 34
Um dia de bênçãos para nós!
Após a aliança feita com seu sogro, Jacó retorna para sua terra após ter morado 20 anos na terra de seu avô Abraão, e neste caminho encontraram-no os anjos de Deus, conforme relata o versículo primeiro do capítulo 32.
O Salmo 34 no versículo 7 ensina que o anjo do Senhor acampa ao redor dos que temem a Deus, e os livra, e o livro de Hebreus no capítulo primeiro e versículo 14 descreve os anjos como ministros enviados por Deus para servirem a favor dos que hão de herdar a salvação, sendo assim Jacó estava sempre acompanhado!
O versículo 2 narra que ao ver os anjos Jacó disse que aquele era o exército de Deus, assim entendemos que eram numerosos, além disso ele chamou o lugar do encontro de Maanaim, que significa dois exércitos, então observamos que ele falava do exército de Deus e o outro seria seu próprio exército, seu povo!
É interessante notar que se Jacó chamou os anjos de Deus e seu povo de dois exércitos, isso porque ele tinha consciência que estava em uma guerra, onde fazer a vontade de Deus era o objetivo e todas as dificuldades que se colocassem a frente dele eram os inimigos. E nós? Temos consciência que estamos em guerra? E que há resistências que tentam nos impedir de servir a Deus e de cumprir o Seu plano? Temos que compreender isso e lutar com as armas espirituais, que são a Palavra de Deus; a Fé e a obediência aos mandamentos de Deus!
Jacó estava determinado a ter paz com seu irmão Esaú, do qual havia fugido como lemos anteriormente no capítulo 28, e para isso enviou mensageiros para lhe contar resumidamente sua história e, para avisar que iria encontra-lo, porém ao retornarem os mensageiros, trouxeram uma resposta que causou grande temor a Jacó, pois seu irmão disse que iria encontra-lo acompanhado de quatrocentos homens.
Se não queremos temer o perigo devemos evitar os erros que nos exponham, Jacó sabia que tinha errado com seu irmão e por isso temeu. Quanto mais reto for nosso caminho e cheio de amor mais livres seremos de todo medo!
Porém Jacó era extremamente inteligente e se preveniu de várias formas, primeiramente separou seu povo em dois bandos, para que se Esaú ferisse um o outro escapasse, em seguida fez uma oração invocando o Deus de seus pais e também relembrando a Palavra dita por Deus a ele, afirmando que o protegeria no seu retorno. Invocar o Deus das promessas e relembrar da Palavra que nos foi dita, esse é o caminho!
Outra providência de Jacó, que podemos ler no versículo 13, foi preparar excelentes presentes para seu irmão, rebanhos de várias espécies de animais, e pediu a seus servos que fossem adiante dele e separassem os rebanhos deixando um espaço suficiente para que ao se aproximar Esaú fosse se deparando com cada um dos presentes e assim seu coração pudesse ser abrandado.
Que sacrifício estamos dispostos a fazer para conquistar o coração de pessoas de quem precisamos nos aproximar? Aqueles presentes nos dias de hoje têm grande valor e naquela época valiam ainda mais, mas Jacó estava disposto a conquistar amizades com bens materiais se preciso fosse. Este princípio Jesus ensinou a seus discípulos séculos depois e podemos ler no Evangelho escrito por Lucas, no capítulo 16 e versículo 9.
Outra atitude prevenida de Jacó diante daquele desafio de reencontrar seu irmão e seus homens foi o de levantar ainda a noite e conduzir seu povo para passarem o Vau de Jaboque e o ribeiro juntamente com tudo o que tinha, porém ficou sozinho, e estava acompanhado de um anjo com o qual passou a lutar.
Deus permitiu aquela luta inusitada entre um homem e um anjo e quando o anjo disse a Jacó para deixa-lo ir pois já a alva subia, Jacó falou: “Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Então o anjo lhe perguntou o seu nome e ele disse Jacó, o anjo então lhe disse: “Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste.” Isto significa que Jacó não aceitou permanecer na vida que estava, não aceitou morrer rico e com muitos filhos, porém sem cumprir o propósito de Deus em sua vida!
Entendo que a expressão: “lutar com Deus e prevalecer” faz referência ao fato de Jacó não ser o filho mais velho e por isso não seria dele a bênção da primogenitura, mas ele foi aceito no plano de Deus pela sua grade determinação! Cada cristão é o “Israel de Deus”, pois Jesus veio para os Judeus, ou seja, a bênção era deles, mas nós pela fé fomos aceitos em seu plano de salvação!
No versículo 29, lemos que Jacó logo após ter seu nome mudado perguntou o nome do anjo, porém ele respondeu perguntando: “por que perguntas pelo meu nome” e o abençoou em seguida. Entendo que Jacó perguntou o nome do anjo pois só estavam os dois ali, e ele provavelmente queria poder dizer ao seu povo o nome do mensageiro de Deus que lhe chamou de Israel, porém ao ocultar seu nome o anjo deixou claro para Jacó que ele deveria atribuir apenas à Deus a mudança, e o abençoou em seguida para que pudessem seguir em frente. Assim Jacó chamou aquele lugar de Peniel, que significa “a face de Deus”, ou seja, ele reconheceu que aquele anjo representava Deus e ao Senhor que deve ser a glória e a honra!
Jacó passou o vau de Jaboque manquejando, pois o anjo deslocou a juntura de sua coxa, como relata o versículo 25. As marcas da luta estavam em seu corpo, assim entendemos que servir a Deus e cumprir seu plano não é tarefa fácil, tem grandes desafios a serem vencidos e devido às nossas limitações humanas e fraquezas iremos ter dores e conflitos, as marcas então ficarão, elas representam as experiências e o amadurecimento que resultam das batalhas vencidas!
O capítulo 33 inicia narrando que Jacó chegou junto ao seu povo e ao levantar os olhos viu Esaú que se aproximava, não coincidentemente. Precisamos reconhecer o agir de Deus e perceber que não existem meras coincidências na vida de quem está caminhando debaixo da orientação da Sua Palavra!
Ao ver Esaú, Jacó foi humilde e se inclinou ao chão sete vezes, então Esaú surpreendeu Jacó quando em vez de ir contra ele, correu, o abraçou e o beijou, e ambos choraram. Esaú estava acompanhado de quatrocentos homens e não podemos dizer que isso era exagero, pois ele não sabia se Jacó estava realmente arrependido e por isso não previa o que iria encontrar, mas ao ver a atitude de humildade e rendição de seu irmão, não teve dúvidas em aceita-lo de volta como amigo!
Nós estamos dispostos a demonstrar arrependimento com gestos? Ou aguardamos sempre que os outros acreditem apenas em nossas palavras? Se erramos com alguém, precisamos ter atitudes que passem confiança ao outro de que realmente mudamos!
Mesmo após ter sido perdoado por Esaú, Jacó não parou de demonstrar seu arrependimento, lemos no versículo 9 que seu irmão não queria aceitar os presentes dados, mas Jacó insistiu até que ele recebesse. Sejamos apegados ao bem de modo que isso seja a marca de nossa personalidade e assim reflitamos o caráter de Deus!
No versículo 10 lemos um dos argumentos que Jacó usou, talvez o mais forte, para convencer Esaú a aceitar o presente, ele disse: “tenho visto o teu rosto, como se tivesse visto o rosto de Deus”. Assim entendemos que Jacó pelas experiências que já tinha com Deus, reconhecia que Esaú representava o Senhor, por isso ele deveria fazer o seu melhor. Todas as pessoas de alguma forma representam Deus, pois tudo e todos na terra são dEle, por Ele e para Ele! Isso explica porque devemos amar ao próximo com a nós mesmos!
Quando temos um encontro verdadeiro com Deus passamos a ver a essência das pessoas e temos certeza de que todos são a imagem e semelhança do Criador!
Devemos notar que no capítulo 33 a Bíblia ainda chama Israel pelo nome anterior que era Jacó, e continua sendo assim até o capítulo 43 e versículo 6, quando pela primeira vez as Escrituras citam o nome novo, Israel. Isto significa que mesmo após a mudança ainda há um tempo em que se faz necessário fazer referência ao passado de alguma forma, mas não para trazer as dificuldades superadas à tona, e sim para que se possa comparar o estado atual com o anterior e assim glorificarmos a Deus pelo seu poder transformador!
No versículo 15 notamos que Esaú ofereceu parte de seus homens para que acompanhassem Jacó em seu retorno, eles não retornariam juntos pois Jacó tinha crianças e animais consigo, porém Jacó não aceitou e disse que bastava que eles tivessem reatado a amizade! Assim Jacó partiu para o lugar que denominou Sucote que significa: em paz.
O que basta para nós? Quais são nossos interesses hoje? Devemos nos satisfazer com a paz que o perdão traz e com a comunhão com Deus a ponto de não ter ambições que nos tirem do foco!
O versículo 18 narra a chegada de Jacó a cidade de Siquém, que ficava na terra de Canaã, ele comprou uma parte do campo em que estendera a sua tenda. Apesar de o texto não afirmar podemos perceber que o fato de Jacó ter comprado uma parte do campo não foi uma escolha acertada, isso porque aquele campo estava na terra de Canaã, que era a terra prometida a descendência de Jacó, portanto o fato de comprar foi uma antecipação e uma precipitação. Também devemos notar que se Jacó estava voltando para sua terra, como havia combinado com Labão e Esaú, não fazia sentido comprar um campo no meio do trajeto.
Ainda podemos notar as consequências drásticas de Jacó ter fixado morada em Siquém, pois ocorreu de sua filha Diná sair para “ver as filhas da terra” e assim foi vista por Siquém, príncipe daquele lugar, e ele a tomou, deitou-se com ela e a humilhou.
Lemos em seguida que ele quis casar-se com ela e a amou, porém, dois fatos causaram problemas sérios: ele ter se deitado com Diná antes de casar-se e o fato de a moça não poder casar-se com homem que não fosse do seu povo, o que era considerado contaminação.
Então Hamor, pai de Siquém procurou Jacó para pedir que a moça se casasse com seu filho, e os filhos de Jacó estavam presentes, eles se anteciparam e disseram que aceitavam o casamento, com a condição de todos os homens da cidade se circuncidarem para que fossem um só povo com eles. A proposta foi aceita, porém tratava-se de uma cilada dos filhos de Jacó.
Quando os homens de Siquém estavam todos com fortes dores por causa da circuncisão, Simeão e Levi mataram todos, e tomaram sua irmã Diná e saíram.
Jacó disse a Simeão e Levi que eles o prejudicaram, pois ficaria ele e seu povo mal vistos por todos os povos vizinhos, e agora corriam risco de serem atacados por todos. Porém os seus filhos disseram que não deixariam Siquém impune pelo que fez a sua irmã, ferindo sua honra.
As consequências de um passo errado podem ter grandes proporções, se Dina não tivesse residência fixa em Siquém dificilmente teria confiança de sair sozinha para conhecer as habitantes da cidade, e assim nada de mal teria ocorrido. Que cada passo que dermos seja coerente com nosso objetivo final, que é agradar a Deus e sermos pessoas melhores a cada dia, para que possamos herdar a morada celestial!
Deus nos abençoe!
Andrei de Andrade
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